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AMOR POR INUTILIDADES

É ELEMENTAR MEU CARO WATSON

Assim Sherlock Holmes se dirigia a John H. Watson, ao explicar o deslinde da trama intrincada de um misterioso crime. Dir-se-ia que Holmes é um personagem de “elevada estatura” que “enxerga longe”, vendo cenários que passavam ao largo do horizonte restrito do universo de Watson.

Einstein não era alienígena, tentaram mas não encontraram diferenças em seu cérebro que explicasse sua genialidade. Foi um aluno comun e por pouco não teve recusada sua entrada nos EUA. Como Sherlock, êle apenas enxergava longe,  seu universo não era limitado como o do Watson.

A genialidade de Eistein não era por ser um humano diferente, mas sim porque não se conformava com a restrição ao conhecimento imposto por “verdades verdadeiras”, convenções, conceitos, preconceitos e discriminações. Desvestia o universo e a vida dos limites criados pelos homens e o via com os olhos e o cerebro livres dos padrões e convenções estabelecidos.

Os humanos nascem nús, sem medos, conceitos, preconceitos e discriminações, mas com uma extraordinária capacidade de percepção e entendimento do ambiente, do universo e de aprendizagem. Enquanto crianças são como o Einstein, quando crescem se transformam no Watson, com as exceções dos que chamamos de genios.

Mostre a qualquer pessoa uma caneta esferográfica e pergunte o que ela vê. A resposta óbvia será “uma caneta esferográfica”. Agora faça o mesmo com um indígena do Amazonas que não teve contato com a nossa civilização. Provavelmente o indígena olhará cuidadosamente o objeto e certamente não verá ali uma caneta esferógrafica. Sua resposta talvez seja “uma seta apontando para o infinito”, coisa que no seu universo seria mais compreensível.

Técnicas de Brainstorming, Pensamento Paralelo ou Lateral, entre outras, são atividades desenvolvidas pelo treinamento empresarial para resgatar e explorar a potencialidade criativa dos seus executivos, afastando-os das  ideias préconcebidas, dos conceitos, preconceitos, discriminações e verdades verdadeiras, normalmente aceitas e incorporadas ao cenário cotidiano.  Quem “enxerga longe”, livre dos padrões e convenções estabelecidas, é capaz de perceber a realidade dos cenários dos negócios e traçar as estratégias para atuar com sucesso nos mercados competitivos.

José Nêumanne Pinto, referindo-se ao Ministro Marco Aurélio, comentou o seu amor por inutibidades, sindrome que acomete com intensidade os que criam regras gerais para administrar exceções, impoêm procedimentos desnecessários, estabelecem as “verdades verdadeiras”, conceitos, preconceitos e discriminações, promovem o mêdo do escuro, do que não se conhece, do que é diferente. Pessoas cuja estatura limitada não lhes permite enxergar longe, como Sherlock ou Einstein, nada veem alem do próprio embigo ou umbigo, como queiram.

Nas grandes empresas internacionais o “ADDED VALUE”  é  foco estratégico. É inadmissível a utilização de qualquer recurso se não existe o correspondente valor agregado, assim, qualquer atividade identificada que não adicione algum valor ao trabalho ou aos resultados e objetivos empresariais, é prontamente descartada como lixo.  Enquando isso, preferimos considerar o objetivo de “ ADDED VALUE”  como  o  nacionalmente condenado ”Mal de Gerson” por querer “levar vantagem em tudo”. 

Infelizmente predominam os Administradores Públicos, Políticos, Magistrados e outros, que só enxergam o universo que os cercam no limite deles próprios e de seus interesses particulares.  Com ”AMOR POR INUTILIDADES” vivem criando regras comportamentais, procedimentos, obrigações de fazer, outras de não fazer, mãos e contramãos, sem absolutamente qualquer utilidade ou valor adicionado, ao contrário, trazendo custos, prejuízos e perda de tempo a todos nós. Promovem o medo, determinam o que devemos fazer, o que devemos comer, onde devemos ir e no que devemos acreditar, são senhores das regras, dos conceitos, convenções, préconceitos e discriminações.

É tão arraigada a nossa integração as convenções e padrões estabelecidos que adotamos comportamentos que nos são propostos de pronto, sem o cuidado de procurar comprovar sua veracidade, de submeter o assunto a nossa própria análise, avaliação e críticas.

Ouvi de um amigo, católico, a afirmação convicta de que as religiões afrobrasileiras praticam a macumba. em cerimônias que visam o mal e a maldade contra as pessoas. Para êle essas religiões são abomináveis, mesmo negando ter conhecimento e informações diretas sobre elas, ou ter  presenciado alguma cerimônia do tipo que descreve.

Robert Langdon, personagem de Dan Brown no livro Simbolo Perdido, ao ouvir o relato de cerimônias escabrosas da maçonaria onde os participantes bebiam em crânios humanos, disse que era membro de uma seita onde “nos dias em que os pagãos celebravam o deus rá, êle se ajoelhava frente a um antigo instrumento de tortura e consumia alimentos cerimoniais de sangue e carne”  e ao espanto e pasmo de seus ouvintes, os convidou para participarem de cerimônia católica no domingo seguinte.

Todos nós podemos ser Sherlocks e Einsteins, basta, como êles, desvestir o mundo das convenções estabelecidas, enxerga-lo da mesma forma como as crianças e não aceitar padrões sem antes submete-los a nossa própria análise e avaliação, sem comprovação de veracidade.

 É o meu Ponto de Vista

ODILON SOARES

odilonsoares@odilonsoares.com

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